Dura da PM, trapaças e São Paulo

Continuando meu relato, agora em SP!

Depois de internet e me empanturrar de macarrão enquanto os estudantes de engenharia estudavam pra prova natalina em Lorena, saí da cidade umas 5:50, em direção à Dutra. Mas depois de 15 km nessa rodovia logo enchi o saco das carretas passando a milímetros do meu ouvido, e resolvi experimentar a Estrada Velha.
Saí na altura de Guaratinguetá, onde peguei uma avenida que entrou em Aparecida e cruzou toda a cidade. Finalmente pude ver mais de perto a basílica da cidade, para onde vão os romeros nessa época do ano. É realmente impressionante a construção.

Segui pra fora da cidade pela estradinha calma, a antiga Rio x São Paulo, passando por áreas de campo e por dentro de várias cidades. Roseiras, que nunca tinha ouvido falar, Pindamonhangaba, onde nunca antes achei que fosse pisar, e segui para Taubaté. Saindo de pinta tomei o primeiro caldo de cana desses dias todos, com limao, e foi uma maravilha.

Chegando em Taubaté tive o primeiro contratempo da viagem, mas não teve nada a ver com problemas mecanicos ou com a estrada.
Passei pelo presídio feminino feminino de Tremembé. Um presídio bem grande, parecido com aqueles de filme americano.
Poucos km depois passei por outra penitenciária, masculina, e na frente havia várias pessoas, com sacolas e presentes, provavelmente fazendo a visita de natal a seus parentes.
Parei e tirei uma foto do prédio do presídio. Do outro lado da estrada estava uma viatura da PM. Reparei que eles me olhavam feio, mas caguei, fiz a foto e segui viagem.

Cerca de 500 metros a frente duas viaturas se aproximaram e me mandaram encostar na estrada. Descem 4 policiais, todos armados, e o primeiro me pergunta com aquela delicadeza da polícia militar: “Por que você tirou foto da gente ali atrás?”
– Não tirei foto de nenhum policial, tirei foto apenas do presídio.
Enquanto dava a camera para o policial conferir as fotos que eu havia feito e constatar que não aparecia o rosto de nenhum deles, o inquérito seguiu com os outros:
– Onde você mora? Você trabalha com o que? Tá viajando assim porque? Você é atleta ou faz isso porque gosta?
E um outro, olhando pra minha perna:
– Essa tatuagem aí, oq ue é isso? Uma águia? Tem outras? Mostra todas!

Depois de explicar tudo, que tava só de curioso, dando um role, e o cara ver que a foto era só do presidio, segui viagem. A partir daí a estrada piorou muito, e o sol estava castigando, mas resolvi seguir numa tacada só até São José dos Campos, porque sabia que a Cristina, que me hospedaria pelo Couch Surfing, tava me esperando e precisava ir pra SP ainda nesse dia.
Na saída de Taubaté resolvi parar num cicle pra arrumar uma haste de ferro de cestinha, pra fazer uma gambiarra pra minha bolsa de guidão. Parei no cicle e expliquei pra moça que queria uma e pra que eu queria. Em segundos ela voltou com a haste já dobrada do jeito que eu precisava. Muito sagaz.

No fim das contas não deu tão certo quando eu tinha imaginado, e ainda preciso pensar em outra solução, mas achei foda a ajuda da tia. Essa bolsa que eu trouxe é grande demais e tá com muito peso, não tá se sustentando.

Nada de muito interessante nesse trecho, até chegar em São José dos Campos, onde peguei umas ladeiras monstruosas até chegar na casa da Cristina. Como sabia que ela vinha pra SP, resolvi arriscar e pedir uma carona. Ela vinha de carro. Sorte!
Ela me recebeu muito bem lá. Tomei um banho, comi um miojo, desmontei a bike pra colocar no carro e viemos pra cá.
Decidi pegar essa carona pois o trecho de S.J.C. pra SP pela Dutra é feio, nada de bacana pra ver pelo caminho, e a entrada na cidade pela  marginal Tiete é péssima pra pedalar.
A Cristina me levou até a casa do Leo, que estava em SP pra passar o natal com a familia, e fiquei a primeira noite lá. Depois de chegar, fomos dar um role pra comer junkie food vegan no Prime Dog, com uma amiga dele (nao lembro o nome dela, acho que é Mari). Comi um beirute do tamanho de um prato, nuggets com molhinho de maionese, tudo vegan.
De lá fizemos um programa de paulista completo: caminhar pela Av. Paulista, que estava lotada de gente vendo as luzes de natal. Cruzamos ela toda, da Vergueiro até a Teodoro, de onde seguimos pra casa da Mari, que nos deu uma carona de volta pra casa do Leo (em Pirituba, bem longe).

No dia seguinte almoçamos um rango maravilhoso que a mãe do Leo fez, tomamos um açaí vindo direto do Pará, e arrumei minhas coisas pra vir pra casa da Thais, onde to agora. Cruzei um pedaço bem grande de SP de bike. de Pirituba até a Vila Mariana. como era dia 24, nao teve muito transito, mas chovia e as ladeiras são interminaveis!
Essa foi a primeira vez na minha vida que eu de fato senti que São Paulo é grande. Muito muito grande. Uma cidade muito maluca. Mas eu adoro.

Passei um natal tranquilo e divertido com a familia da Thais. Agora preciso rearranjar tudo, regular a bike (a marcha tá dando xabu chato. Quem foi mesmo que falou que Rapid Fire não desregula?!), amanha vou comprar uns rangos pra viagem e depois SOROKO!!

e aí sigo viagem pra Juquitiba e depois litoral sul.

Beijos a todxs e valeu por todas as mensagens de apoio! Pega sua bike e vai pedalar!

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2 respostas em “Dura da PM, trapaças e São Paulo

  1. Grande Ernesto!! Não sabia que tava em SP! Se precisar de um pouso eu to aqui até quarta, minha casa tá de portas abertas!! Eu volto dia 5, se na volta de viagem precisar de lugar pra ficar com chuveiro quente e sofá-cama!
    Qualquer coisa me liga: 11 7827 5971

    Abração e boa viagem!

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