Preparativos para a viagem: a bicicleta

Prometi a mim mesmo que faria uma série de posts mostrando os preparativos da viagem que farei em alguns poucos dias. Não sei se vou ter tempo de postar sobre tudo o que gostaria antes de partir, porque ainda falta muita coisa pra agilizar, tanto da viagem quanto pendências academicas e de trabalhos aqui no Rio.

Para quem não sabe ainda, no dia 17 começo uma viagem de bike rumo a Garopaba/SC, cidade de praia 80 km ao sul de Florianópolis. Pretendo levar uns 25 dias pra chegar lá, parando com calma em vários lugares do caminho, visitando amigxs e conhecendo pessoas.
A maior parte do trajeto eu vou fazer sozinho.

Achei que seria interessante falar dos preparativos começando por um elemento essencial: a bicicleta!

Bom, essa é uma bicicleta genérica com quadro de alumínio, que comprei há uns 3 anos na loja Ciclovia, em Copacabana, onde o meu amigo Leonardo trabalhava. A bike foi montada pela própria loja, fiz algumas modificações nela na compra, e foi com ela que fiz minha primeira viagem, para Rio das Ostras, em 2009.

Quando comprei a speed, no ano passado, acabei deixando ela encostada por vários meses, até que na viagem para Lídice percebi que uma mtb devidamente ajustada se sairia melhor para cicloturismo do que uma road com pneus excessivamente finos e poucas marchas leves.

Então de uns meses pra cá comecei a modificar a bike toda, a tal ponto que só o que restou de original foi o quadro e os freios (e olha que essa semana ainda troco os manetes).

Vamos lá, a bike é:
– quadro de alumínio, marca desconhecida.
– garfo rigido, de aço, marca desconhecida.
– selim veloplush com furo central e canote gts de aluminio.
– aro 26″, aluminio, barra dupla. raios inox.
– cubos shungfeng.
– pneu kenda kwest, slick, 26×1.50
– cambios shimano sis/tourney.
– pedivela shimano tourney 48-38-28.
– pedal comum de aluminio.
– pinhão de rosca, shimano tourney 7 velocidades. (acho que é 11-28).
– passadores comuns e genéricos (esse ponto merece um tópico especial)
– freios V-brake Logan. manetes serão trocados essa semana por gts.
– mesa regulavel, acho que é Zoom.
– guidão mtb da Tranz-X

Extras:
– fitas anti-furo, iluminação Planet Bike, computador Cateye Velo 8, bagageiro comum de aço zincado (aquele de $ 20 em qualquer cicle), bar ends, fita de guidão dropdown no lugar de manoplas.

Primeira coisa que acho importante dizer sobre essa bike: ela não é uma bicicleta foda, tampouco é uma bicicleta ruim. É razoável, dentro do que eu posso pagar (e do que eu já tinha, levando em conta que ficou um tempo parada). Funciona tudo bem, com excessão do cambio dianteiro que está um pouco chato, mas tudo bem. A roda dianteira tá desalinhada, acho que a culpa é do garfo.

Vou fazer uma viagem de 1.300 km com ela, e imagino que ela vai se sair bem.
Se eu for em alguma loja de bike mais bacaninha, vou ouvir que ela é fraca, pesada, não serve.
O Ciclovida foi do Ceará até a Argentina com uma cargueira e uma outra bike sem marcha. E aí?

Acho que bicicleta boa é aquela que você tem, cuida, e faz tudo que tem que fazer, de acordo com suas necessidades.
Cicloturismo não exige bicicletas top de linha, peças de carbono, etc.
Exige bikes robustas e que se desempenhem bem em diversas situações (adversas).

Algumas informações sobre a escolha dessa bike e de certos componentes dela:

Lendo muito sobre ciclotour, vi que há algumas boas razões para optar pelo aro 26″, apesar do 700 ter supostamente um rendimento melhor.
– mais facilidade de conseguir pneus e câmaras, pois o tamanho 26″ é mais padrão, mundialmente.
– mais resistencia a impacto.
– mais versátil, para enfrentar diferentes tipos de solo.
– cicloturismo não é competição, então é melhor deixar de lado a obsessão por desempenho, se você pretende viajar 1000 km com 15 kg de bagagem, ou as vezes muito mais do que isso!

Quanto ao câmbio, optei pelos passadores “comuns”, aqueles de alavanca simples, sem rapid fire.

Por que? Bom, embora o rapid fire seja muito eficiente e ágil, é muito mais sensível a desregulagens, e principalmente a impactos. Ouvi por aí que as vezes um pequeno impacto no cambio traseiro pode ser suficiente para inutilizar um rapid fire.
É por isso que os passadores bar-ends da Shimano, usados principalmente em bikes de cicloturismo, podem mudar de indexados para simples com o girar de uma chave. Se você estiver no meio do nada, a quilometros de distancia de uma cidade, e tiver problemas com o sistema indexado, é só passar pro outro sistema.
Além disso esse sistema é sempre separado do manete do freio, e caso seu passador quebre, você compra um novo por 10 reais em qualquer bicicletaria. A maioria dos rapid fires vem acoplados com o manete do freio, e quebrar uma parde de uma peça significa trocar o jogo todo (aconteceu com um amigo meu essa semana).

O problema disso: como o mercado de comercialização de peças de bicicletas funciona por modas e padrões, quando você anda pro lado oposto desse padrão, fica difícil encontrar peças, ou pelo menos peças de qualidade.
Em todas as lojas que fui atrás de um bom passador de marcha do tipo simples me foi recomendado desistir disso e usar o rapid fire, que é muito melhor e bla bla bla. E não há no mercado brasileiro passadores de marcha simples de boa qualidade. Ou você usa os genéricos, ou é rapid fire. Sem meio termo. Na internet achei algumas opções, mas todas importadas, fora do meu orçamento e especificações.

Então fiquei com esses passadores que ganhei do Marcos Nicolaiewsky. São genéricos, simples, e estão funcionando. O cambio traseiro perfeitamente. O dianteiro com certa dificuldade de chegar na coroa maior, mas não sei como resolver e acho que viajarei com ele assim mesmo.

Por em quanto acho que é isso que tinha pra falar da bicicleta. Nos próximos posts, a lista de equipamentos, alimentação, roupas, como vou carregar tudo isso na bicicleta, e dicas de adaptações e gambiarras faça-você-mesmo para cicloturistas duros e pão-duros como eu.
(Um bom exemplo é bolsa de guidão que está na bike na foto. É uma bolsa de camera (ou algum outro equipo eletronico) que comprei por $ 20 no shopping-chão, e adaptei pra prender aí com fitas de velcro.)

(não me pergunte porque a foto está virada.)

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7 respostas em “Preparativos para a viagem: a bicicleta

  1. Para os rycos e famosos é mole AUHEIUOAHEiouaHEIAOUe
    Aê lekão, domingo passado (04/12/11) eu fui pra Petrópolis – no dia anterior tinha ido pra Caxias, aê acordei de madrugada (umas 4 ou 5 horas, sei lá) e decidí ir pra Petrópolis. Botei a roupa anti-chuva e um casaco na mochila, coisas de remendo e fui embora. Subi a maior parte do trajeto empurrando a bike, mas foi PH-o-D-a! Quase 5 horas de viagem, quando cheguei lá em cima tava tremendo de fome, aê decidi voltar de ônibus (R$4 e pouco a passagem) pra não arriscar descer a serra passando mal.
    Beijocas

    • que foda, lekão!!
      porque tu num levou um lanchinho e paçoca e amendoim porra?! aí voltava pedalando que ia ser o mais fácil! haehhaehae

      tenho feito uns treinos com a galera aqui do rio de vez em quando. já subi sumaré, paineiras, e no domingo fui pra Grumari, depois do Recreio, via Niemeyer e Joá!

      Aliás na lista de treino a galera tem falado muito de ir até petrópolis e/ou teresópolis! Mas pra mim agora só quando voltar do sul.

      Grande beijo!

  2. Claro que você completará, mas achei alguns detalhes que vale mencionar.

    * CORRETÍSSIMO, a melhor bicicleta é a ‘sua’, que você tem, pode pagar e que cumpre suas funções! De acordo com as necessidades, você altera para que se adeque.

    Recomendo LUBRIFICAÇÃO com um “extra” de todos os rolametos, Cubos, central, direção e etc. NUNCA USE WD40!
    O primeiro comentário sobre o aro 26” é verdade os demais não. Há uma imensa variedade de pneus 700c, procure por CICLOCROSS.

    Sobre os passadores, RapidFire não desregula! Eles são usados para MTB, DownHill, XC, imagina se no meio de um evento o piloto fica sem marcha ? Ninguém nunca viu isso, caso tenha ocorrido com alguém, VALE muito à pena ver os critérios de manutenção da pessoa.

    Acredito que não vá mudar os passadores, mas você perde “eficiêcia” com os SIS/Turney que apesar de indexados estão com passadores comuns. Eu tiro por mim, quando pedalava 100, 200km e tinha que ficar procurando a marcha [sem contar as subidas], depois de tantas horas na bike, fazer isso é chato.

    Opções BARATAS e BOAS, ou seja … que vão melhorar a passagem de marcha na parte em que mais se altera [cassete]. Ligue para: 3392.9069 fale com o André, pergunte sobre o GripShift Shimano [comprei, não sei se o ultimo]/ Alavanca Shimano [ainda tem lá, com certeza].
    Só mencionar meu nome RODRIGO.

    Marcos Nicolaiewsky !!! Esse cara é demais !!! Pedalei o Audax200 Urbano com ele.

    O Câmbio dianteiro.
    O que eu acho que resolverá: Sabe ajustar as molas girando o parafuso? [São 2, um define o limite da coroa maior e o outro da menor]
    o que pode ajudar: Sabe como esticer o cabo do passador até o câmbio?

    Quanto as chuvas, uma CAPA que o MARCOS NI irá indicar é barata e resolve, para a bagagem cobrir com um plástico fino [dar a volta nela toda] já resolve.

    • Olá, Rodrigo!

      Sobre a lubrificação, com certeza é essencial, e estou começando a aprender isso só agora, depois de várias viagens.

      Sobre o Rapid fire, não reli meu texto, mas posso ter me expressado mal. O que vi muita gente dizer é que são muito sensíveis a problemas como impactos no cambio traseiro, que podem inviabilizar a regulagem e tal.
      Eu tive um sistema indexado na minha bici, da Shimano, mas o mais barato, que é indexado só no cambio traseiro. O dianteiro era comum. Não gostei dele, e depois de um tempo quebrou. Mas como disse, era o rapid fire mais simples e barato. Não saberia dizer nada sobre a resistencia e durabilidade de linhas superiores.

      Curiosamente, não estou nada incomodado com o sistema comum no cassete. Pelo contrário, está bem regulado e funcionando bem. É o dianteiro que está atravancando um pouco. E o problema não é da regulagem das molas. Ou melhor, regular as molas não está resolvendo. Se muito pra fora, entra na coroa maior, mas precisando de muita força, e não chega na menor. Se muito pra dentro, não chega na maior de jeito nenhum.

      Sobre estivar o cabo do passador, o que você quer dizer? Deixa-lo com mais tensão?

      Esse cambio Grip Shift é bom? É aquele que gira no punho né?

      Abraaços!

  3. Salve Ernesto !

    Agora depois da minha experiencia com a cirurgia da minha vista, sem anestesia geral e o avesso da visão que o meu ôlho captou (de dentro para fora dele), em um um fantastico caleidoscopio de imagens e sensações,
    numa experiencia sensorial, visual, auditiva única que me fizeram esquecer o medo, o nervosismo e o panico.

    O que veio depois dessa experiencia singular da qual estou viajando nela até hoje, e posso dizer que passei a entender melhor essa tua corajosa experiencia individual única, singular nessa viajem de bicileta.

    “A vida quer é coragem”.

    • Salve Ernesto !

      Agora depois da minha experiencia com a cirurgia da minha vista, sem anestesia geral e o avesso da visão que o meu ôlho captou (de dentro para fora dele), em um um fantastico caleidoscopio de imagens e sensações,
      numa experiencia sensorial, visual, auditiva única que me fizeram esquecer o medo, o nervosismo e o panico.

      O que veio depois dessa experiencia singular da qual estou viajando nela até hoje, é surpreendente! E posso dizer que passei a entender melhor essa tua corajosa experiencia individual única, singular nessa viajem de bicileta.

      “A vida quer é coragem”.

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