Preparando uma viagem de bike – checklist

Faz um tempo que tava pensando em fazer um post sobre os preparativos pré-viagem. E não haveria melhor momento do que estar fazendo os últimos preparativos para uma viagem!

Desde a Bicletada Jardinária em Niterói, onde conheci a Thaís e o Brunão, falamos de fazermos uma viagem de bike qualquer dia desses. Era pra ter rolado duas semanas atrás, mas o mau tempo e uma complicação de saúde que eu tive acabaram cancelando a viagem.

Eu e Thaís decidimos então fazer a viagem nesse final de semana. O Bruno não vai poder vir junto dessa vez. O que significa que teremos que fazer outra viagem com ele em breve! (e se tudo der certo farei também em breve uma com o Leo e o Danilo, com quem falo sobre fazer um role desse faz tempo.)

Bom, primeira coisa, nosso destino: Aldeia Velha.
Fui pra lá de bike, sozinho, no começo do ano. Faremos um trajeto um pouquinho diferente na saída de Niterói dessa vez, indo por dentro de São Gonçalo, entrando pra BR-101 só lá pela altura do bairro Paraíso. Já fiz esse caminho no sentido inverso e foi bom: trânsito muito mais ameno do que a saída de Niterói pela Av. do Contorno. De resto é só seguir pela BR-101 até chegar.

Vamos na sexta, voltamos no domingo. Viagem curta, levar muito pouca coisa. E temos onde ficar, logo não precisamos de barraca, o que é um  grande adianto.
A previsão é de 12h de pedalada, saindo as 4 da madruga por duas razões: evitar o sol forte, e chegar lá ainda com tempo para um banho de rio ou cachoeira.

Então, a lista de coisas necessárias:

BIKE E ACESSÓRIOS
– ferramentas, todas.
– espátulas e kit de remendo
– bomba
– câmaras reserva
– óculos
– firma pé
– alforjes e bolsa de guidão (inventei uma nova sensacional)
– luzes de sinalização e faixa refletora
– espelho (esse é novidade também)
– capacete

COMIDA
– água, muita água. (cada bike com 2 caramanholas no quadro, e mais uma garrafa na reserva possivelmente. no caminho tem onde enche-las)
– bomba calórica natureba (ainda vou na Casas Pedro comprar os ingredientes e fazer. a receita está aqui no blog!)
– pão, árabe. (não esfarela nem faz sujeira)
– frutas secas diversas
– sementes diversas (girassol, castanhas, amendoim, etc)
– maçã e cenoura (gostoso, não amassa, aguenta bem o tempo debaixo do sol)
– possivelmente algo açucarado pra dar um agrado

não vamos levar comida para refeição. lá teremos onde cozinhar, e nos viramos na mercearia local.

ROUPAS
– bermuda de ciclismo
– uma bermuda de ser humano normal.
– camisa dry fit
– camisa normal
– uma calça térmica para um possível frio (é tipo uma meia-calça, muito compacta e leve.)
– um casaco (no caso o abrigo corta-vento e chuva)
– 1 cueca extra
– 1 par de meia extra
– sunga

PRIMEIROS SOCORROS E HIGIENE
– esparadrapo
– gaze
– band aid
– soro fisiológico
– água oxigenada
– paracetamol
– dorflex (será?)
– filtro solar
– talco
– papel higienico
– sabonete (sabão de coco é até melhor!)
Acho que a lista completa é essa, mas sempre descobrimos que falta algo né. Essa será uma viagem bem curta e bem tranquila, se tudo der certo. O caminho já é conhecido, e estamos com tudo certo. (embora ainda me falte trocar um cabo de freio. hehehe)

Na semana que vem chegam notícias e fotos da pedalada!

beijos

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Aventura Macanuda

Um breve relato da aventura de enfrentar o cruel trânsito carioca com bicicletas, para ver de perto o Liniers.

Nos últimos dias rolou no Rio o Comicon, um congresso de quadrinhos e artes gráficas, lá na Estação da Leopoldina, na Av. Francisco Bicalho.
Na sexta-feira o cartunista argentino Liniers esteve por lá para um debate e uma sessão de autógrafos. Então eu e Thais, fans do cara, resolvemos ir.
O debate seria às 20h, e no site estava divulgado que a distribuição de senhas aconteceria da seguinte maneira: metade no começo do dia (14h) e metade 2h antes do debate. A entrada no evento custava $ 10 (a meia!). Com medo de estar lotado, combinamos de chegar lá as 14h, pra pegar a senha, e depois eu iria pra aula e ela ficaria por lá provavelmente, e nos encontraríamos de novo depois.

Considerando alguns atrasos, nos encontramos na estação das barcas – ela vinha de Niterói – quase 14h, e lá começamos a pedalada juntos, em direção à Leopoldina. Eu conheço bem a região, já pedalei por lá algumas vezes, e sabia que ia ser o inferno. Ela não. Na dúvida sobre qual caminho pegar (porque nesse trecho todos são horríveis e hostis com as bicicletas), optei pelo seguinte: 1º de Março, Marechal Floriano, Pres. Vargas, Francisco Bicalho.
O começo foi razoavelmente tranquilo. Transito intenso na 1º de Março mas nada que os ciclistas daqui já não estejam acostumados. Marechal Floriano tinha o trânsito um pouco mais leve, mas o asfalto em compensação era lamentável. Assim chegamos na Central, e de lá a Mal. Floriano acaba e pegamos a Pres. Vargas, onde começa a desgraça.

A Av. Presidente Vargas é uma das maiores e mais movimentadas da cidade, com 2 pistas em cada sentido, cada uma com 3 faixas. As 3 faixas, entretanto, são bastante apertadas, e não comportam uma bicicleta pedalando pelos bordos. Pela margem esquerda, além de apertado, os carros passam em alta velocidade. Pela margem direita, temos um exército de ônibus se degladiando pelo espaço nos pontos, e nós, ciclistas, nos sentimos microscópicos.
Como a Thais está mais acostumada em pedalar pela direita, e os carros em alta velocidade da esquerda pareciam mais perigoso, fomos enfrentando os ônibus o quanto conseguimos. Há diversas paradas e MUITAS linahs nesse trecho da cidade, pois é caminho para vários lugares. Dessa forma, a batalha foi tensa. E o asfalto logicamente não nos favorecia.
Pouco depois da Univercidade (acho que é isso) desistimos do asfalto e fomos pra calçada, que dali em diante era bem pouco movimentada. Também não foi fácil pedalar, pois era muito quebrada e tinha vários degraus muito altos, de saídas de garagens.
Enfim conseguimos chegar ao final da Pres. Vargas, e depois da estação nova do metrô voltamos pra pista e seguimos até o começo da Francisco Bicalho, na altura da passarela.

Ali nos deparamos com um novo problema: estávamos diante de outra avenida de 4 pistas, cada uma com 3 faixas, extremamente movimentada, com carros em alta velocidade, e sem nenhum sinal de trânsito. A única forma de chegar do outro lado, na estação onde era o evento, seria pela passarela. O problema é que a passarela só tinha escadas. Não tinha rampa. É nessas horas a gente consegue se colocar na pele dos outros: se fôssemos cadeirantes, simplesmente não haveria como chegarmos do outro lado, a não ser que déssemos uma volta de uns 2 km indo até a rodoviária e atravessando a rua lá, o que não seria nada prático para um cadeirante.
Bicicletas erguidas, subimos e atravessamos a passarela (que a cada passo dado parecia que ia desabar).

Chegando no local do evento, novos problemas. O primeiro é que, logicamente, não havia um bicicletário. Afinal, quem em sã consciência iria pedalando para um lugar daqueles?! Rapidinho desenrolamos e prendemos as bikes numa grade no estacionamento de carros.
Segundo problema: burocracia pouca é bobagem. O evento custava $ 10 para entrar (porque pagamos meia), as senhas eram distribuidas somente la dentro, e o único jeito de pegarmos a senha no começo do dia era pagando o ingresso, e então esperando lá dentro até as 20h, quando seria o debate. Não havia a possibilidade de sair e retornar sem pagar outro ingresso. E lá dentro as opções para comer eram caras e escassas (no meu caso, não havia nada). Pegar informação com alguém era uma tarefa difícil, ninguém parecia estar trabalhando dentro do evento (apesar de usarem a camisa), e a resposta que tinhamos era sempre “pergunta pra alguém mais ali na frente”. No fim descobrimos que não havia nenhuma distribuição de senhas no começo do dia, e que só poderíamos pegar as senhas as 18h. Ou seja: correria toda a toa.

Então nos deparamos com um novo problema: voltar para perto da Central (eu ainda tinha planos de ir pra aula). O caminho pela via lá incluia passar por viadutos com carros em alta velocidade, então cruzamos de volta a passarela e seguimos pela calçada na contramão até a Pres. Vargas, onde cruzamos outra passarela (sem rampa tambem, mas tinha elevador pra cadeirantes), e de lá seguimos sem maiores problemas até o Campo de Santana. Pela hora, considerando que ainda íamos almoçar, desisti da aula.
Comemos yakisoba e ficamos sentados na praça do Campo de Santana um tempão, fazendo a digestão, debaixo da sombra de uma árvore (eu até tirei um cochilo) e rindo das cotias e gatos. Acho aquele lugar impressionante. No meio do inferno da Central, um lugar tão tranquilo, com sombra, bichos e sem (muito) barulho.

Lá pelas 17 e pouco decidimos levantar e partir para enfrentar o trânsito loco de volta pro Comicon. Dessa vez decidi tentar um novo caminho que evitasse termos que carregar as bikes pra atravessar a passarela. E um novo caminho é uma nova aventura: cruzar o túnel da Providência e seguirmos pela Gamboa até a Rodoviária, pegando a Francisco Bicalho no final.
Acho a experiência de passar pela Central nesses horários de pico, ainda mais de bicicleta, muito interessante. Me sinto naqueles vídeos de países asiáticos onde não há qualquer lei de trânsito. E é mais ou menos assim que funciona lá mesmo. Um formigueiro de pessoas, ônibus insanos, vans, cachorros cruzando a pista. E o túnel xexelento. Aah, o túnel xexelento! Fazia tempo que eu não passava de bicicleta naquele chão de pedra que te faz sentir uma britadeira humana. A Thais achou horrível passar por lá, mas eu confesso que estava com saudades.
A Av. Rodrigues Alves estava impraticável (alguma hora ela não é?!), e seguimos pela calçada até uma transversal que nos levou a uma ruasinha menor da região, que desemboca já na rodoviária. De lá até que foi fácil. Cruzamos por baixo do viaduto, e pegamos a Francisco Bicalho até a estação.

O Comicon estava muito bacana, e foi LINDO conhecer o Liniers. O cara é uma tirinha dele mesmo encarnada num ser humano. Ele falando e rindo o tempo inteiro e fazendo piadas sem parar, era um cartum em pessoa. Rolou uma sessão não apenas de autógrafos, mas de desenhos! Ele tava desenhando pra todo mundo! E super gentil e solícito. O cara é um fofo. Ficamos mais fãns do que já éramos. (Thaís tava até nervosa de falar com o cara! hehehe)

No fim, na volta pra casa, tivemos que erguer a bike mais duas vezes pelas passarelas do caminho (totalizando 5 sobe e desce com a bike no ombro), mas o transito já estava mais ameno e foi tudo mais tranquilo.

Pedalar no Rio de Janeiro, em especial no centro, numa sexta-feira a tarde, parece realmente coisa de maluco. Mas na verdade é coisa de apaixonado. Maluquice é ficar preso no engarrafamento. A cada perrengue desses que passo, eu gosto mais e mais de pedalar pela cidade, conhecer lugares pelos quais de outra forma eu nunca passaria, pela possibilidade de simplesmente decidir “ah, hoje vou pegar essa rua aqui que faz um caminho diferente”.

“As ruas desvendam novos segredos. Mas é tudo o mesmo se o olhar é sempre o mesmo.”