Sobre a alimentação… (numa viagem de bicicleta)

Depois desse longo relato da minha última viagem, acho que seria interessante fazer uma série de posts sobre questões técnicas da viagem como: preparação, equipamentos, treinamento, bicicleta, etc.

Quanto à alimentação, uma das coisas que acho mais importantes de frisar: eu não consumo nenhum produto de origem animal. Nenhuma carne, leite, ovo, nenhum derivado. (Exceto mel e própolis. alguns vão me bater por isso, mas é uma longa dicussão que não terei agora).

Em todas as viagens que fiz, mantive mais ou menos o mesmo esquema de alimentação, e até agora vem dando certo.

Um dos elementos básicos que eu levo comigo nas pedaladas é um alimento energético feito em casa, da seguinte maneira:
– faça uma farinha de castanhas e sementes. use as que quiser. sugestões: castanha do pará, castanha de caju, amendoim (ambos crus e sem sal), gergelim, linhaça. É só juntar tudo no liquidificador e bater, sem água nenhuma, tudo no seco.
– misture qualquer outro ingrediente seco que ache interessante. podem entrar coisas como levedo de cerveja, aveia, farelo de trigo, frutas secas (em pequenos pedaços). Enfim, o que quiser mesmo.
– no fim, com essa farinha no pote, vá adicionando melado de cana (use um de boa qualidade e sabor) aos poucos, até formar uma massa consistente e firme.

Pronto. Se quiser, divida em bolinhas, mas acho desnecessario, e com o calor da estrada a tendencia é virar tudo um só bolo mesmo.
Essa bomba energética é como uma barrinha de cereais, com a vantagem de ser totalmente caseiro, e extremamente barato de fazer. Com cerca de R$ 20,00 você faz um punhado disso que vai render vários dias de pedalada. Durante a viagem, coma quando der vontade ou fome.
E outra vantagem: não estraga nunca! Fiz uma vez em janeiro, para ir para Aldeia Velha. Guardei o que sobrou na geladeira, e só fui comer de novo em junho, quando fui a Rio das Ostras. Já ouvi inclusive relatos de uma pessoa que passou mais de um ano viajando, se alimentando basicamente de uma mistura dessa. E você pode mudar, adicionar o que quiser e achar gostoso.

No mais, levo comigo sempre: damasco seco, banana passa, pão árabe ou folha (é bem leve, não faz sujeira, dá até pra comer puro). Semente de girassol sem casca também é ótimo. Outras opções menos “saudáveis” são amendoim, paçoca, barrinhas de cereal industrializadas, e até mesmo biscoitos.
Já levei chocolate, e é bom por ser energético e liberar serotonina, mas tem um problema: debaixo do sol escaldante da estrada, derrete totalmente em poucos quilômetros.
Na estrada, sempre paro nas barracas de caldo de cana, pois além de achar saboroso, e ser energético, já ouvi dizer que é isotonico/repositor de sais minerais também. Se não for verdade, é bom mesmo assim.
Alguns atletas de alta performance, durante provas de ciclismo, triatlon e coisas assim tomam aqueles saches energéticos de nutrientes totalmente sintéticos. Eu dispenso coisas assim, acho que não combina em nada com uma viagem de bicicleta, e na verdade tenho várias críticas a esse tipo de alimentação.

Quanto à água, levo apenas 2 caramanholas, e no caminho vou enchendo em bares, restaurantes, posto de gasolina. Se for pegar um longo trecho ermo de estrada, melhor levar um estoque maior! Mas se pedalar por estradas mais ou menos movimentadas, acho essa quantidade suficiente.

Algumas refeições que precisam de fogo e que são extremamente simples e rápidas:
– chapati (um pãosinho sem fermento). é só misturar farinha de trigo, água e sal até virar uma massinha, abrir como uma panqueca e fritar. rapidinho tá pronto e é muito gostoso.
– mingau de aveia. leite ou mesmo leite de soja são totalmente dispensáveis. misture aveia fina, água e açúcar a gosto, até virar a papa do mingau, e coloca canela no final. Também fica gostoso colocar frutas e castanhas dentro enquanto cozinha.

Não recomendo fazer refeições pesadas nos intervalos da pedalada. Deixe o almoço para a janta, pra quando chegar lá, e você vai render muito melhor! Se pretende passar 8 horas pedalando, faça uma pausa depois das 4 primeiras, mas coma coisas leves. Um pão, um suco, uma fruta.

Caso o plano da viagem envolva pernoitar no caminho, e você saiba aonde vai parar, não acho vantajoso levar equipamento de cozinha, pois é muito volume e peso. Agora, se estiver na aventura, sem destino certo, leve pelo menos uma panelinha, um fogareiro e temperos. A parte mais pesada da comida, como arroz ou macarrão, você pode deixar pra comprar em alguma cidade no caminho. Ou mesmo pedir uma xícara de arroz em algum sítio ou casa, algo assim.

Por ora é isso.

Anúncios

Uma resposta em “Sobre a alimentação… (numa viagem de bicicleta)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s