começando um blog sobre bicicletas…

há um tempo eu queria fazer um blog para falar, prioritariamente, sobre bicicleta, e toda sua relação com o mundo: mobilidade e divisão do espaço urbano, autonomia, viagens, etc.

acabei de voltar de uma viagem em que minha câmera pifou, nos primeiros 50km, e fiquei praticamente sem qualquer registro visual da pedalada. achei que seria então uma boa hora de começar esse blog, com um relato escrito da pedalada. não tenho qualquer compromisso de postar com regularidade, nada assim. quando der vontade, aparecerei com algo por aqui.

segue a primeira parte. resolvi dividi-lo porque está ficando bem longo!

O link do mapa, no Google Maps (não tá entrando inteiro, não sei porque. tem que copiar e colar…)

http://maps.google.com.br/maps/ms?msa=0&msid=216529412295200131614.0004a9a531adb5564b8a7

Depois atualizarei para o Bike Maps e Bikely!

Relato uma viagem sem fotos

1º Dia:

Meu plano para os últimos dias das férias de julho: pedalar do Rio de Janeiro x Piraí, dormir lá, de lá para Lídice, onde passaria uns dias no sítio de um amigo, e de Lídice desceria a Serra D’Água até Angra, de onde pegaria um ônibus de volta.

Minha idéia inicial era sair de casa umas 5 da manhã, imaginando chegar na Via Dutra umas 6h. Dois dias antes da viagem tive uma conversa com um ciclista mais experiente, que me recomendou sair de casa 3h, ou mesmo 2h, para chegar no pé da Serra das Araras quando estivesse amanhecendo. Resolvi apostar num meio termo, me programei para sair de casa às 4h. Com os devidos atrasos já normais de qualquer viagem, cruzei a porta de casa às 4:45h, em direção ao centro, rodoviária e Av. Brasil, onde segui até a Via Dutra. Na média foi um horário até bom para sair, e às 6h, quando o sol começava a subir, eu já estava entrando na rodovia. Porém peguei mais movimento do que gostaria na Av. Brasil, principalmente de ônibus: muitas linhas começam a circular as 5h. Acho que sair de casa 1h mais cedo teria sido melhor, evitaria esse trânsito.

Afora isso, a viagem seguiu tranquila até o km 50 de pedalada, quando tive meu primeiro problema: a câmera digital que eu levava, novinha, recém saída da caixa, deu pau. Deu pra fazer dois vídeos, 3 fotos, e só. Sem mais nenhum registro visual da viagem. Talvez por isso também eu tenha me estimulado mais a fazer esse relato escrito. Mas a viagem foi linda, e vai ficar na cabeça, independente das fotos.

Na saída do município de Seropédica, a 1km do Bob’s bem famoso que tem ali na Dutra, há uma passagem bem apertada, sem acostamento, e acabei subindo na grama e empurrando a bike por alguns metros. Continuei, e faltando 1 ou 2 km para o começo da temida subida da Serra das Araras, tive mais um problema técnico: câmara furada. Como ela já estava remendada, nem me preocupei em ver onde era o furo (era na verdade um remendo solto). Começa a função: desmonta toda a bagagem, tira bagageiro pra tirar a roda (que não tem blocagem). Coloquei a câmara nova, mas por falta de experiência usei a espátula para colocar o pneu pra dentro. Depois de tudo montado, fui encher, e nada. Rasguei a câmara com a espátula enquanto colocava. Problema bem comum, ouvi dizer… Tira tudo de novo, tira a câmara e remenda. Na segunda vez funcionou.

Depois de quase 1h parado, segui pra tal subida da Serra das Araras. É realmente um subidão bem chato, e eu ainda estava debaixo de um sol de 11 da manhã. Mas achei que ia ser pior. O segredo é não olhar muito pra frente. Estabelecer uma meta próxima, ir até ela, e aí estabelecer outra. Minha bicicleta é velha, pesada, de aço, e com 12 marchas. Longe do ideal pra uma subida dessas. Aí eu fui aos poucos. Pedalava 1km, dava uma respirada, pedalava mais 1km. Eram 8km de subida. Depois de 4 parei numa banquinha de frutas e tomei uma água de coco.

No caminho passavam algumas carretas bem lentas. De repente, numa delas, ouvi uma voz “Assim é mais fácil”. Quando olhei, tinha um ciclista segurando atrás dela, subindo de carona. Achei a idéia até divertida, mas não me arrisquei, e segui pedalando.

Depois de chegar ao topo da serra, só descida até Piraí, rapidinho cheguei, cheio de fome e de sono. Almocei e fui atrás de uma bicicletaria pra comprar uma nova câmara reserva. O pessoal da loja era super legal, batemos mó papo, e o dono me ensinou a manha de colocar o pneu de volta sem precisar da espátula. Afora esse papo maneiro na loja, achei Piraí chato, e resolvi esticar até Passa-Três. A hospedaria mais barata em Piraí era $ 40, e eu estava disposto a não pagar nada pra passar a noite. Ia improvisar. Chegando em Passa-Três, depois de 15km numa estradinha muito simpática, constatei que lá não tinha onde me hospedar do jeito tradicional. Perambulei um pouco atrás de algum lugar que pudesse me abrigar durante a noite, lanchei, e depois passei numa mercearia onde fiquei de papo com o pessoal que trabalhava lá. Os caras curtiam fazer trilhas de bicicleta e outros roles assim, e se solidarizaram e foram me apresentar ao cara que organizava os passeios ciclísticos da cidade. O nome dele é Ricardo. Ele mora em Barra Mansa mas tem casa por lá, faz vários rolês de bike pela região, pela antiga estrada Rio-SP e outros, e ocasionalmente hospeda ciclistas que passam por lá. Muito gente boa, batemos mó papo, ele contou várias histórias de cicloturistas que conheceu. Mas como ele não ia dormir por lá, não poderia me hospedar. Então os caras da mercearia me apresentaram a um outro cara da cidade, Carlinhos, que cria vacas e cabras para extração de leite e produção de queijo. Ele tinha um quartinho que servia de escritório, perto das jaulas onde ficavam presos os animais, e me abrigou por lá. Foi bem bizarro ver tão de perto como a exploração de animais se dá no interior. Mas o cara foi gentil, aceitei a hospedagem, e no dia seguinte ele me serviu um café com bastante açúcar e saímos de lá juntos.

Ele foi entregar leite, eu segui viagem.

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2 respostas em “começando um blog sobre bicicletas…

    • Olá, Emmanuel
      Sabe, eu moro no Rio de Janeiro, uma cidade com um dos trânsitos mais agressivos de que se tem notícia no Brasil, e pedalo aqui diariamente. Então, quando estou na estrada, na real me sinto numa grande paz. Já pedalei por rodovias consideravelmente movimentadas (Via Dutra e BR-101), e ainda assim me sinto muito mais confortável do que no meio urbano. Acho que fazendo uma boa escolha de rota, dá pra fazer cicloviagens fantásticas, sem pegar grandes trechos de grandes rodovias. Procure mais infos, tem muita gente fazendo cicloturismo por aqui! Recomendo esses dois sites: http://cicloterras.wordpress.com/ e http://rodrigo.utopia.org.br/

      abraços!

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